Códigos QR: como usar eficaz e inteligentemente
Os Códigos QR – abreviação do inglês “quick response codes”, em português “códigos de resposta rápida” – foram inventados em 1994 pela empresa Denso Wave, uma subsidiária da Toyota, com a finalidade de identificar componentes automóveis durante o processo de montagem. Entretanto, quase 20 anos depois, os Códigos QR fazem parte do nosso dia-a-dia

os Códigos QR estão estão por todo o lado
Só com o advento dos smartphones e das tecnologias a eles associadas, os códigos QR encontraram usos para além daqueles que lhes estavam confinados nas fábricas. Entre aqueles que mais têm tirado partido destes códigos estão os profissionais de publicidade e de tecnologias informáticas, na maior parte das vezes associados. Abaixo estão algumas formas de usar os códigos QR de forma eficaz e inteligente, mas também alguns exemplos infelizes do seu uso.
Livros e Jogos Sudoku gratuitos no Aeroporto Internacional de Denver (campanha publicitária do FirstBank)
No Aeroporto Internacional de Denver encontramos cartazes brancos com códigos QR impressos em larga escala e pouca mais informação – destacando-se evidentemente o logo do banco patrocinador. Quando escaneados, os códigos dão-nos acesso gratuito a jogos Sudoku ou livros com os quais nos podemos entreter no tempo de espera até ao embarque, especialmente naqueles dias em que as voos são adiados ou cancelados.
A campanha surgiu depois de um inquérito do FirstBank ter detectado que muitos dos seus clientes apontava os tempos de espera em aeroportos como uma das experiências menos satisfatórias das suas vidas. Assim, com a oferta de jogos Sudoku ou livros que são do domínio público – isentos de pagamento de direitos de autor – o banco americano aproximou-se não só dos seus, mas também de potenciais clientes, que reconhecem nesta campanha uma preocupação séria e concreta pelos pequenos grandes problemas que encontramos no dia-a-dia.
Festival de Música na Polônia invadido por Códigos QR (campanha da Heineken)
No festival de música Heineken Open’er que decorreu na Polônia, a campanha da cervejeira holandesa centrou-se na pergunta: Por que vão as pessoas a festivais de música? Para além da resposta óbvia “para ouvir música ao vivo”, outra emergiu: para conhecer pessoas! Assim, em conjunto com a agência publicitária Leo Burnett, a Heineken criou um espaço no recinto do festival onde as pessoas pudessem criar códigos QR com mensagens personalizáveis, que depois imprimiam e colavam ou prendiam nas suas roupas.
A iniciativa foi um sucesso e notou-se um aumento das relações sociais entre desconhecidos, que aproveitavam os códigos QR que viam nos outros para iniciar uma conversa e descobrir qual a mensagem encriptada. Muitas amizades surgiram e o festival teve sem dúvida um espírito de união e abertura.
Códigos QR aproximam as pessoas num festival de música na Polônia – link para vídeo no youtube
Bilhetes Virtuais (MogoTix)
Os Códigos QR recebem um uso surpreendente no caso da empresa de bilhetes virtuais MogoTix, que tenta contrariar o monopólio dos bilhetes impressos em papel. Economicamente, um bilhete virtual tem as suas vantagens em relação ao de papel, pois são eliminados custos de impressão, tanto do próprio bilhete como dos hologramas ou outros dispositivos que costumam incorporar por motivos de segurança e anti-cópia. E, a menos que seja um colecionador obsessivo de todos os bilhetes que adquire, sejam eles de concertos, viagens ou entradas em recintos desportivos, todo o custo da impressão vai parar no cesto do lixo no final.
O bilhete virtual tem a vantagem de eliminar estes custos e aumentar a segurança, pois é muito mais difícil perder um smartphone do que um pedaço de papel. A MogoTix percebeu isso e decidiu que um código QR individualizado no ecrã do seu telemóvel é o futuro para o negócio dos bilhetes. Se achar que é modernice a mais, pode sempre imprimir o código.
Menu Interativo (Radisson Edwardian)
A cadeia britânica de hotéis Radisson Edwardian utiliza os códigos QR nos menus dos seus restaurantes, permitindo assim ao cliente aceder a vídeos que mostram como os pratos são preparados. Desta forma o cliente poderá ultrapassar qualquer dúvida que tenha em relação a certa iguaria, não necessitando sequer de questionar o empregado de mesa.
Em termos de design, estes menus também contornam os argumentos de que imagem nos menus é sinônimo de vulgaridade e que restaurantes com classe nunca as usariam. A Radisson Edwardian fornece assim informação visual dos pratos sem baixar os seus níveis de exclusividade, mantendo um design perfeito no menu ao associar informação escrita à sobriedade negra e branca destes códigos.
Curriculum Vitae com Conteúdo Extra (Victor Petit)
O estudante francês Victor Petit encontrou no código QR uma forma original e inventiva de enriquecer o conteúdo do seu curriculum. Uma forma brilhante de chamar as atenções de futuros empregadores que pode ser vista aqui.
Depois de algumas formas inteligentes e funcionais de utilizar os códigos QR, passamos a outras menos boas, que constituem verdadeiros maus exemplos:
Cachecol Código QR (Lendorff Kaywa)
Este cachecol com um gigantesco código QR é resultado de uma estranha colaboração entre uma empresa de tricô inglesa e outra de tecnologias móveis da Suíça. Não se sabe que mensagens estão por detrás dos códigos, ou se estes podem ser personalizados. É má estratégia comprar um cachecol com um código e descobrir depois aquilo que ele publicita, mas pode ser pior caso não gostemos daquilo que ele publicita. Nesse caso nem vale a pena usá-lo na rua, correndo o perigo de ser perseguido por um qualquer transeunte a tentar ler o código com o seu smartphone. Em conclusão, o estilo é discutível, a funcionalidade é nula.

Cachecol com código QR da Lendorff Kaywa
Códigos QR em posters publicitários nas redes de metropolitano
Têm surgido muitas campanhas publicitárias que usam os códigos QR para divulgar conteúdo extra. É uma ótima forma de chegar a potenciais clientes ou de fornecer informação vital para perceber a própria campanha. Mas é uma péssima ideia quando os códigos são lidos em sítios com pouca cobertura de rede, como é o caso dos túneis subterrâneos do metro, especialmente se o conteúdo escondido for um vídeo que já de si demora algum tempo a descarregar.
Código QR em envelopes de correspondência de marketing
Uma campanha de marketing recente da companhia norte-americana de seguros Geico envolvia o envio de sobrescritos fechados (contendo informações sobre serviços). Para “modernizar” esta tradicional estratégia publicitária para angariar novos clientes, a Geico decidiu imprimir códigos QR em tamanho bem grande no exterior dos envelopes. Duas formas de chegar ao público-alvo são melhores do que uma, certo?
Errado. Pelo menos quando colocam o potencial cliente num conflito que o distrai da mensagem principal. Se normalmente a taxa de sucesso deste tipo de correspondência não é das melhores, pois a maior parte das pessoas que recebe estas cartas não as abre – pensem nelas como uma forma de spam tradicional e ultrapassada – quando lhes colocamos em cima um código QR, estamos a passar a mensagem de que não precisam sequer de as abrir.
Se o cliente abrir o envelope, temos uma campanha de comunicações móveis falhada, mas se fizer a leitura do código temos uma campanha de correspondência direta falhada. De qualquer das formas há um desperdício de energia, meios e tempo, e pode-se dar o caso de o destinatário se sentir totalmente confuso e descartar por completo o envelope.
Códigos QR nas placas de matrícula dos automóveis
A empresa de publicidade Bruketa & Zinic propôs que em todas as matrículas de automóveis registados na Croácia fossem exibidos códigos QR que remetessem para o website da Comissão de Turismo Croata. O objectivo seria promover o turismo, mas na verdade poderia era promover acidentes de tráfico.
Vemos o quão irrefletida foi esta proposta se compreendermos o perigo que é usar um smartphone em plena condução para fotografar a matrícula do carro que viaja à nossa frente, para depois, também perigosamente, aceder ao site da Comissão de Turismo, desviando assim os nossos olhos da estrada. É claro que nem toda a gente optaria por este comportamento idiota, mas a simples possibilidade de oferecermos a opção a uns quantos capazes disso, obriga a que consideremos esta proposta pouco inteligente.
Códigos QR em pedras tumulares
Sem querer desrespeitar os falecidos envolvidos, há que destacar o quão problemático pode se tornar esta escolha de várias famílias que decidiram incluir um código QR junto ao epitáfio dos seus entes queridos. Estes códigos, que levam a um sítio, quer seja da empresa que promove tais práticas, quer seja particular, onde podemos ter mais informações sobre a pessoa falecida, podem ser enigmáticos para muita gente. Os códigos QR, apesar de estarem cada vez mais presentes no mundo que nos rodeia, não são universalmente conhecidos, nem sequer toda a gente que visita um cemitério possui um smartphone com capacidade para os ler. Por outro lado, os códigos QR podem brevemente passar de moda e serem considerados ridículos em poucos anos, em contraste com a permanência eterna de uma pedra tumular. Também os sítios que acolhem a informação on-line sobre a pessoa falecida um dia necessitarão de atualização, de acordo com os avanços tecnológicos da internet, e isso pode ser muito penoso para alguém que queira simplesmente colocar uma pedra sobre o assunto.
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